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Últimas Notícias de uma História Só
(Tiago Germano)
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| Quem nunca ouviu aquela história de que o bater inofensivo de asas de uma mariposa, nalguma floresta tropical, pode desenrolar uma cadeia de fatos que, daqui a uma centena de anos, provocará um tufão de proporções catastróficas nalgum arquipélago da Indonésia? Esta é a formulação clássica do “Efeito Borboleta”, teoria elaborada pelo cientista Eduard Lorenz que a figura esguia do ator Alex Gruli propala em cena de Últimas Notícias de uma História Só (ainda sem previsão de retorno da temporada que se encerrou semana passada, no Espaço dos Satyros II). Escrita e dirigida pelo estreante Otávio Martins, o espetáculo narra a história malfadada de um seqüestro, entremeada por uma série de acontecimentos que, supostamente, o causou: desde um simples pedestre que jogou fora um panfleto de rua até o trágico suicídio de uma velhinha. Com Luciano Gatti e Melissa Vettore no papel de seqüestrador e refém, e se alternando em figuras pitorescas do cotidiano da métropole, a teoria caótica que fundamenta a peça vai sendo destrinchada pelo brilhante Gruli (que junto com Otávio Martins esteve recentemente em Uma Pilha de Pratos na Cozinha, de Bortolotto). O cenário simples (os atores não dividem cena com nada além de uma garrafa plástica e um lençol) é compensado por uma iluminação funcional, que ajuda o público a se desprender da ação dramática e embarcar em delirantes feedbacks que vão compondo o quebra-cabeças da trama. Com histórias reais, raciocínios quânticos e vários enredos costurados pelo fio do acaso, Últimas Notícias de uma História Só é, no teatro, uma experiência similar aos primeiros quinze minutos de Magnólia, no cinema. Se você é daqueles que não estranhariam se uma chuva de sapos caísse tão logo acabasse de ler essa matéria, fique atento para a próxima temporada da peça. |
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